22 de janeiro de 2014

O HOMEM QUE SALVOU O TEMPLO

Ele suplicava silenciosamente por uma atitude de alguém

O “templo” tinha a aparência que sempre teve, mas a sua alma já não aguentava tanta sujeira. Criado como abrigo de orações, estava se corroendo com tanto mal que viu os homens do mundo praticarem.
Dentro de uma cidade pecaminosa, onde religiosos proferiam sua fé para se exibirem e ignorantes obedeciam aos poderosos por não saberem como questionar, o “templo” se isolou naturalmente. Mas todas as coisas erradas que aconteciam ao seu redor adentravam pouco a pouco em seu terreno, passo a passo ganhavam espaço, centímetro a centímetro inundavam-no de um mal que somente os homens são capazes de causar.
É bem verdade que, em toda a sua vida, o “templo” buscou ajudar quem esteve ali. Esse era seu objetivo desde o princípio e, por meio das palavras sagradas já conhecidas – e muitas vezes até improvisadas –, salvou a alma de muitos. Embora algumas vezes adotasse um tom entristecido, a paz que ainda era capaz de irradiar o tornou inconfundível.
Foi em um desses dias, onde tudo ao redor se tornou errado demais, que um Homem percebeu o perigo que o “templo” corria. Embora não parecesse diferente do dia anterior e do dia antes ao dia anterior, o “templo” suplicava silenciosamente por uma atitude de alguém, qualquer alguém, que pudesse salvá-lo das garras imundas do mundo. E esse Homem ouviu.
Estando próxima a Páscoa dos judeus, animais inundavam a alma do “templo”. Pessoas preocupadas em manter as aparências, cambistas querendo lucrar cada vez mais, religiosos que, ao invés de instruir o povo, julgavam-se melhores do que todos os outros. Tudo isso afetava o “templo” de forma avassaladora.
Foi por isso que, tendo subido desde Cafarnaum até Jerusalém, o Homem não aguentou ver a obra de Deus sofrer com tantas desgraças perto de si. Fez Ele um azorrague de cordas e expulsou todos aqueles males: vendedores, esnobes, arrogantes, filhos desnaturados.
Aos berros e esbarrões limpou o “templo”. Gastou todas as suas forças identificando e medicando feridas abertas pelo mundo, buscando uma forma para que nada mais corrompesse a casa do Pai.
“Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas?” Perguntaram os indignados que, talvez por serem incapazes de enxergar os próprios erros, não perceberam o pedido de socorro do “templo”.
“Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.”
Na hora, ninguém acreditou naquelas palavras. Provavelmente ninguém as entendeu. Aquele prédio permaneceu intacto por décadas, mas pouco tempo depois daquele dia em que o “templo” foi limpo, veio a destruição e a reconstrução, em 3 dias.
E quando isso aconteceu, os discípulos do Templo o adoraram ainda mais.

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