4 de dezembro de 2012

Como não se preocupar?

Os problemas do mundo aumentam a inquietação

 
Por Tany Souza / Foto: Thinkstok
tany.souza@arcauniversal.com
 
 
Antigamente, o principal requisito para as pessoas era saber falar o português corretamente. Agora, as cobranças do mundo são maiores, e o profissional deve ter, no mínimo, dois idiomas fluentes.
 

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A verdade é que há um excesso de exigências quanto ao desempenho do ser humano, desde a infância até a fase adulta. “As pessoas ficam submetidas à pressão de toda natureza. E uma das causas maiores da preocupação é justamente corresponder a essa exigência, que ultrapassa o poder de qualquer indivíduo”, explica o psicanalista Jacob Goldberg.
 
Outra exigência pessoal é o seu desempenho para ser o que não é na frente de outras pessoas. “Por exemplo, vai a uma festa e age de forma diferente para demonstrar que é uma pessoa feliz, o que nem sempre é verdade.”
 
Porém ele enfatiza que quem se ocupa de alguma forma não é preocupado. “Existe uma diferença muito grande em se ocupar e se preocupar. A preocupação em geral é um exagero em nível da fantasia. Quanto mais é preocupado, menos é ocupado, e quanto mais cuida e zela de sua própria vida, é mais tranquilo. O preguiçoso, o negativista, está sempre muito preocupado, porque não está correspondendo ao que a vida exige de cada um”, esclarece Goldberg.
 
O psicanalista explica que para ser uma pessoa despreocupada é preciso focar a vida em outros fatores, que não sejam atender as exigências da sociedade. “O ideal é que resista aos estímulos do consumismo, de ser alguém para agradar o próximo, compreendendo que são exigências artificiais e que é essencial não manter as aparências, mas sim ser alguém que está em paz e harmonia com você mesmo.”
 
Falta de fé
 
Goldberg diz que há outro foco para o estresse que gera a preocupação. “A insegurança é gerada pela falta de um sentido para viver, pelo medo da morte, pela falta de fé em acreditar em uma dimensão maior que é a ‘teia de proteção’, algo que ultrapassa a nós mesmos. Hoje está provado que um indivíduo que tem fé tem mais possibilidade de viver mais e melhor.”
 
Ele vai além ao afirmar que uma pessoa que tem fé em algo consegue ser mais equilibrada e despreocupada. “O indivíduo que é capaz de depositar essa fé em um sentido transcendente é menos egoísta e menos narcísico, e com isso é mais solidário, e a solidariedade é a distribuição das preocupações”, finaliza.

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